Coluna | Periscópio
Wender Reis
Pedagogo e Orientador Social, curioso observador de tudo que causa espanto no mundo.
Onde termina a violência
23/04/2017
Como uma criança do jardim de infância que, espantada com as descobertas de um mundo o qual deseja avidamente desvendar, me pergunto inquieto e triste “quem esgotou meu discurso”?

Na escola, essa rede social física, que é a mãe das virtuais, invariavelmente, nós, os professores, sentimos os efeitos do esvaziamento de nossos discursos. Repetidamente, reivindicamos pela fala nossa autoridade de educadores, talvez, como nunca antes tão contestada.

Refletir a respeito é importante porque em tempos de discursos esvaziados, como os nossos, a violência é fotografia. Hannah Arendt chamou atenção para o tema afirmando que “a violência começa onde termina a fala”. E quando a palavra não é possível, a violência se afirma e a condição humana é negada. 

A escola, monótona e previsível de outros tempos, vive assustada com o mundo, com a rua, com os estudantes. Nunca se sabe o que pode vir de lá. O dia seguinte é uma incógnita. E se depredarem a escola, quebrarem computadores, incendiarem a secretaria? Por que o “contra-ataque” parece ser tão, tão, tão... . violento? O que guardam as mochilas, além de livros e cadernos? Será que armas e drogas? Quando ameaças se tornaram comuns na rotina escolar? 

Na rede social escola, o diálogo, locus natural do discurso, tem várias esferas paralelas de linguagens que não se encontram. Discursos dos alunos, dos professores, das famílias, do Estado. Espaços que parecem não se cruzar. A pretenciosa regulação dos laços sociais que seria a medida para a neutralização da agressividade está frágil e falida. E não é por frouxidão do Estado e seu poder de repressão, como Bolsonaro e seus infantis seguidores querem fazer acreditar, quando, pelo contrário, é o excesso de repressão que certamente nos colocou neste estado de guerra civil, no qual nenhuma instituição está imune, muito menos, a escola. 

“Você viu? Nos incluíram no grupo de risco da vacina da gripe”, pergunta uma professora, e penso comigo que nos incluíram em um grupo de risco ainda maior, o da sociedade, a escola está mudando de fora para dentro. Vivemos a desconstrução. Não há mais chão sólido para os antigos espaços de poder. 

Espantado, confuso, tento entender a agressividade de alguns alunos. Percebo claramente que temos perdido a consciência do mal a ponto de simpatizarmos com pequenas e grandes crueldades, pois vivemos em uma sociedade que espetaculariza tragédias, muitas delas, causadas pela violência. Intolerantes e individualistas, não concedemos e tampouco reconhecemos ao outro o seu direito de ser. Discriminamos, subjugamos, agredimos. Estamos perdendo a consciência do mal, o mal se tornou outra coisa e já não é mais mal. Talvez estamos legitimando a violência. 

Será que a nossa marcha civilizatória nunca nos levará a algum lugar? Nossa história parece uma eterna Caverna do Dragão.

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